Antigo Religião é Veneno
O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"
Autor: Huxley | Categoria: Ceticismo | Exibições: 643 Comentários: 49
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Eu acrescentei uma nota de rodapé pequena ao meu texto do primeiro post do tópico. Ela está no post anterior. É pequena, mas é importante.
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Huxley disse: É difícil não perceber como as pessoas se iludem por vieses cognitivos, que são erros do julgamento humano baseados nas falhas inerentes de nosso aparelho cognitivo. Não raro, esses se difundem coletivamente de tal forma que se transformam em fatos com repercussões políticas. Um deles é a ilusão correlacional. O fato de dois eventos ocorrerem frequentemente juntos não significa que um seja, necessariamente, a causa do outro. O outro é conhecido como erro de redução ou falácia da causa única. Nele, as pessoas deixam de procurar causas adicionais quando pensam que achou uma que parece proeminente.

Em contexto político, essa ilusão se traduziu recentemente na seguinte crença proposicional no Brasil: “Lula e o PT foram os heróis do 'milagre sócio-econômico' do Brasil (sobretudo de 2004 a 2011)”. Essa crença de excepcionalidade do desempenho de Lula e do PT não passa de ilusão, mesmo se fosse desconsiderado o recente período de estagnação ou recessão. Isso eu já expliquei no tópico do Clube Cético  Brasil deixado para trás pelo resto da Periferia na Era Lula/PT. 

Todavia, depois do fiasco econômico do PT na fase terminal de sua estadia no Poder Executivo, existem por aí pessoas ligadas ao petismo que ainda tentam minimizar ou não responsabilizar o lulopetismo pelo desastre econômico recente. Vamos aos três principais argumentos e as respostas aos mesmos:

A operação Lava Jato paralisou o setor de infra-estrutura, afundando a economia

O problema desse argumento é que o Brasil apresentou recentemente duas taxas de decréscimo do PIB de cerca de 4%. Isso ocorreu nos períodos de 2015 e 2016. Mesmo que fosse verdade que o efeito da crise institucional sobre as principais construtoras do país tivesse abalado a renda nacional, a própria revista Carta Capital, petista de carteirinha, admitiu, partindo de estimativas de consultorias, que “se não fosse a Lava Jato, a recessão de cada ano teria sido algo em torno de 1,5%”:
https://www.cartacapital.com.br/economia/quantos-empregos-custa-a-lava-jato   

Veja que se evitou dizer “apenas 1,5%”. É compreensível, pois lembremos que, embora o governo não-petista anterior, o de FHC, tenha sido marcado por graves crises econômicas, não houve um único ano sequer em que o PIB não teve variação de aproximadamente 0% ou mais. E, nos oito anos da gestão de FHC, jamais houve um aumento tão explosivo na taxa de desemprego em tão pouco tempo como houve no fim do período em que o PT esteve no Poder Executivo. Durante a gestão de FHC, nunca se chegou nem minimamente próximo ao feito de quase triplicar a taxa de desemprego em cerca de um ano e meio - medido pela "Pesquisa Mensal de Emprego" de dezembro de 2014 a maio de 2016.

Lembremos que a Lava Jato se iniciou no extremo fim do primeiro trimestre de 2014, isto é em 17 de março de 2014. Eu fui no Google Imagens e digitei “recessão 2014”. Para minha surpresa, vi um gráfico do portal de notícias G1 cuja fonte de dados era o IBGE. Do terceiro trimestre de 2013 ao segundo trimestre de 2014, tem variação do PIB contra trimestre anterior (em %) assim: -0,5%,+ 0,5%,  -0,2%, -0,6%. Isso desmente o mito da Lava Jato como a causa primeira da deterioração do desempenho da economia brasileira. 

Ademais, existe outra proposição que quero desmentir. A de que...

O Brasil vivia taxa de desemprego excepcionalmente baixa até a entrada do economista neoliberal e defensor da política fiscal austera, Joaquim Levy, que estragou os feitos do lulopetismo

Será isso verdade? A queda da taxa de desemprego realmente foi resultado da aceleração do crescimento econômico que ocorreu no Brasil no período 2004-2011. Todavia, o feito de Dilma, a taxa de desemprego “menor da história” desde o começo da implementação da metodologia atual nada mais do que foi o resultado da diminuição da oferta de emprego, pois a produção e o emprego ficaram estagnados por volta de 2014. Isso fica cristalinamente claro ao se ler o artigo da Folha de São Paulo “Paradoxos Heterodoxos” do economista Alexandre Schwartsman, ex-membro da equipe econômica de Lula. Um excerto do artigo é esclarecedor:

(...) entre agosto de 2013 e agosto de 2014 a força de trabalho encolheu em 160 mil pessoas, quase o dobro da queda do emprego no período. É este desenvolvimento que explica a redução do desemprego apesar da produção e do emprego estagnados. 

Não é claro o que causou este fenômeno. Ele parece mais pronunciado na faixa etária de 18 a 24 anos e pode resultar tanto da busca por maior qualificação por parte dos jovens (que teriam se afastado do mercado para estudar), como do aumento da “geração nem-nem” (nem trabalha nem estuda).

Fonte: 
http://maovisivel.blogspot.com.br/2014/10/paradoxos-heterodoxos.html 

Também disponível em:
https://www.institutomillenium.org.br/artigos/paradoxos-heterodoxos/ 

 



Quanto a entrada de Joaquim Levy ter causado a recessão, isso é falso, como mostram os sinais de variação negativa do PIB que antecederam a entrada, no Ministério da Fazenda, de tal economista. 

Todavia, há de se levar em conta que a entrada de Joaquim Levy, seja por impotência ou incompetência política, não significou austeridade fiscal, portanto não houve qualquer "arrocho fiscal neoliberal causador de crise". Alexandre Schwarstman, o mesmo desmascarador do mito acerca da taxa de desemprego, diz o seguinte: 
Há quem atribua tal desempenho à austeridade fiscal, principalmente por parte do governo federal. Isso é falso: como divulgado ontem, o consumo do setor público se manteve virtualmente inalterado (R$ 361 bilhões agora contra R$ 365 bilhões no início de 2014). Outras medidas de gastos, no caso do governo federal, incluindo despesas como pagamentos de aposentadorias e pensões, mostram aumento do dispêndio, jamais queda. 

Só mesmo apreciável contorcionismo mental poderia atribuir ao ajuste fiscal, sequer iniciado, a queda vertiginosa da atividade econômica, iniciada ainda em 2014.

Fonte: http://maovisivel.blogspot.com.br/2017/03/sete-anos-em-tres.html (Blog Mão Visível)
 



A culpa foi de Dilma, não de Lula

Diferentemente do que acontece com outros argumentos, esse aqui não tenta negar o efeito causal da incompetência de Dilma no colapso recente da economia. O foco dele é proteger Lula.

Todavia, esse argumento parece ignorar o fato óbvio de que Lula é o pai da política econômica iniciada por Dilma. O ministro da Fazenda que levou o Brasil ao abismo no governo Dilma foi nomeado na gestão Lula. Muitos economistas atribuem o relativo bom desempenho econômico do Brasil lulista ao tripé macroeconômico que a equipe econômica de Lula criou no primeiro mandato e que foi desfeita no fim da era Lula. Em que consistia esse tripé?  De novo, o esclarecedor Alexandre Shwartsman desmontou o mito no artigo de 2013 “O fracasso órfão” no seu blog Mão Visível:


Durante os anos que o país adotou o chamado “tripé macroeconômico”, caracterizado pelo câmbio flutuante, o compromisso com as metas de inflação e o cumprimento das metas do superávit primário, autodenominados “desenvolvimentistas” não se vexaram de prometer um desempenho melhor caso sua estratégia fosse adotada. Segundo este pessoal, seria possível crescer muito mais caso a taxa de câmbio fosse administrada, a taxa de juros reduzida, o grau de intervenção do governo na economia aumentasse (via políticas setoriais) e a política fiscal fosse relaxada.

Não é necessário nenhum grande salto de imaginação para notar que estas têm sido as vigas mestras do que se convencionou chamar de “nova matriz econômica”, que entrou paulatinamente em vigor nos anos finais do governo Lula, ganhando força considerável nestes dois anos e meio da administração Dilma. Diga-se, aliás, que a transição foi aplaudida entusiasticamente por todos os que defendiam esta alternativa ao “tripé”.

Os resultados desta política estão nas manchetes de todos os jornais: crescimento pífio, inflação acima do topo da meta, déficits externos crescentes e desarticulação do investimento. Por qualquer ângulo que se olhe, a “nova matriz econômica” tem sido um fiasco retumbante.

Fonte: http://maovisivel.blogspot.com.br/2013/07/o-fracasso-orfao.html 
 


Vejam que mesmo que a política fiscal expansionista tivesse algum valor anticíclico num contexto pós-crise internacional 2008-2009, sua dosagem incorreta foi responsável por, a partir de 2010, a taxa de inflação ficar acima do centro da meta*. Depois disso, além de a taxa de inflação ficar acima do centro da meta e até do teto, isso também foi acompanhado de desaceleração da taxa de crescimento do PIB. Isso culminou na taxa de inflação elevada acima de 10% e brutal recessão observada em 2015. 

Tudo isso começou por um processo iniciado por Luís Inácio Lula da Silva, esse mito, que nos faz inferir, depois de tudo demonstrado aqui, a seguinte lição. Nem sempre as contiguidades temporais apontam para realizações grandes de habilidades grandes, pois eventos supostamente extraordinários podem acontecer sem causas extraordinárias. Lula é apenas um “Dilma de calças” que deu sorte. Estivesse ele lá num hipotético terceiro e quarto mandatos, provavelmente teríamos aproximadamente o mesmo do desastre causado por Dilma. O que deixaria claro, para muitos dos que querem o mesmo mais uma vez no Palácio do Planalto por um longo tempo, o quão enganador ele foi. Mas, como isso não ocorreu, é parcialmente compreensível que ainda existam pessoas que fantasiam as realizações de um Lula que não existiu.

* P.S.: Política fiscal expansionista não gera inflação (ou aceleração da mesma) se não for acompanhada por uma política monetária também continuamente expansionista. Porém, como o Poder Executivo Federal controla ambas, o governo Lula não se salva da crítica deste texto por causa dessa observação adicional.


Perfeira sua análise.
Mostre para um petista e veja a força deste religião.
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Perfeira sua análise.
Mostre para um petista e veja a força deste religião.


Também gostei muito mas sabemos que mostrar estes fatos a petistas é inútil.
Esses argumentos servem pra convencer os demais.

Precisamos de um candidato a presidente que consiga ensinar isso ao povo mesmo que perca as eleições.
E precisamos de outro cadidato que concorde com isso, não diga nada durante o pleito mas vença as eleições e consiga por alguma coisa boa em prática.

Embora as eleições parlamentares sejam na minha opinião mais importantes pra mudar as coisas de fato
1- Não podemos perder eleições majoritárias porque isso só vai atrasar mais o país
2- É na eleição pra presidente que é possível produzir mais senso comum. Por enquanto o senso comum é estatista, quanto mais gente metendo o pau nisso e mostrando que a Petrobras é um câncer melhor pra causa.


Não tenho pretensão de me declarar como tal mas, segundo Olavo de Carvalho, as discussões que  se dão enrte intelectuais são deste nível aqui que estamos tratando.
Já o discurso e a estratégia pública precisa ser outro e o "nível" desse discurso vai variar de acordo com o grau de instrução da maioria do povo.
A esquerda aposta na burrice, falta de informação e nas mentiras pra isso.

Ela tem vencido.

Nós precisamos viabilizar nossa mensagem reconhecendo que estamos em constante desvantagem por vários motivos mas destaco um.
A mentira é menor que a verdade.
"FHC quebrou o Brasil 3 vezes" é bem menor e mais eficaz do que a explicação que desmente isso.

Eu não sei como desatar este nó.
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Esse tópico estava incompleto, pois precisava refutar o mito "A Lava Jato destruiu empresas e algo semelhante não teria acontecido nos EUA e Alemanha", argumento petista que Dias Toffoli reapresentou recentemente no Estadão: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/12/16/a-lava-jato-destruiu-empresas-afirma-toffoli.htm

Segundo Deltan Dallagnol publicou no Twitter ontem, a Lava Jato vem recuperando por meio dos acordos mais de R$ 14 bilhões de reais para os cofres públicos. Sendo assim, eu digo que petistas e assemelhados queriam que os contratos superfaturados fossem mantidos e os ágios de preços devido as propinas embutidas neles fossem pagos pela Petrobrás. Além de não devolverem o dinheiro, segundo os petistas, essas empresas deveriam continuar sendo financiadas pelo BNDES e deveriam manter direito a oligopólio artificial patrocinado pelo governo.

Cláudio Dantas menciona que o argumento petista ignora que outras empresas perderam contratos por causa das mamatas das empreiteiras corruptoras, muitas delas demitiram ou quebraram financeiramente bem antes dessas empreiteiras corruptoras. 3:46 - 5:15:
https://www.youtube.com/watch?v=7WRnMEdvS00

Em Os Pingos nos Is da Jovem Pan é argumentado por Felipe Moura Brasil que não existiu tamanho esquema de corrupção nos EUA ou na Alemanha comparável ao descoberto pela Lava Jato. Ademais, Augusto Nunes diz que quem fala que não existiram casos de falências amazônicas corporativas por causa punição de corrupção nos EUA é um desinformado. Ademais, José Maria Trindade, alega que existiram sim acordos de leniência que salvaram as empresas envolvidas na Lava Jato. O que não aconteceu foi as empresas passarem impunes financeiramente. Segundo ele, se formos pelo argumento de que elas teriam que ficar impunes porque empregam muito, deveríamos lembrar que o narcotráfico, o roubo e o jogo do bicho também empregam muito:

https://www.youtube.com/watch?v=W2ejxIWTaVg

No fim, devemos não esquecer o que já postei no artigo que abriu o tópico... Mesmo retirando o impacto no PIB estimado pelas perdas corporativas das empresas envolvidas no escândalo, isso não teria salvado o Brasil da recessão, segundo dados publicados pela Carta Capital, uma das maiores apoiadoras do governo presidencial petista. E crescimentos negativos de PIB trimestral antecederam o advento da Operação Lava Jato.
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(Como todos sabem, o fórum Clube Cético morrerá. No primeiro post do tópico, eu pus link do fCC que tratava do texto a seguir)

Tópico: Brasil deixado para trás pelo resto da Periferia na Era Lula/PT
Autor: Huxley

A evolução do desenvolvimento socioeconômico do Brasil na Era PT mostra que o chavão "Nunca antes na história deste país" é a farsa tupiniquim do século.... Na década de 2000, o boom no preço das commodities e a maior disponibilidade de mão-de-obra em relação aos países ricos (devido a maior taxa de subemprego/desemprego) beneficiaram não apenas o Brasil, mas também os países periféricos que não se chamam Brasil. Em média, eles se saíram um pouco melhor e/ou muito melhor do que nós, dependendo da classe de referência mencionada para a análise. Vejam...

IDH (esse índice é calculado com dados de 2 anos de defasagem em relação a publicação do mesmo, portanto tem-se o primeiro e o último ano do governo Lula)

Brasil (2005): 0,699
Brasil (2012): 0,730

Crescimento de 4,43% de 2005 a 2012

América Latina (2005): 0,710
América Latina (2012): 0,744

Crescimento de 4,79% de 2005 a 2012

“Least developed countries” (2005): 0,401
“Least developed countries” (2012): 0,449

Crescimento de 11,97% de 2005 a 2012

Fonte: http://hdrstats.undp.org/en/tables/



Como já se não bastasse ter sido "abaixo da média", a situação vem piorando nos últimos tempos e a tendência é o resto dos países periféricos nos deixarem ainda mais para trás:

(EDIÇÃO: o link da imagem já não existe mais, daí ele não aparecer)



Fonte: O Globo
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Os números que pus no tópico em 2013 não batem com os atuais; acho que a metodologia mudou. De qualquer forma, o crescimento do IDH brasileiro foi abaixo daquele do Mundo entre o ano do primeiro mandato de Lula e o ano do último mandato de Lula (lembrem-se do detalhe dos dois anos de defasagem nos dados que mencionei no post anterior):

Brasil (2005): 0,697
Brasil (2012): 0,730

Taxa de crescimento de 4,73% de 2005 a 2012

Mundo (2005): 0,669
Mundo (2005): 0,708

Taxa de crescimento de 5,83% de 2005 a 2012

Fonte: http://hdr.undp.org/en/data
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favoritando . Valeu @Huxley
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Os seguidos resultados de crescimento econômico pífio nos últimos anos parecem aumentar ainda mais o mito de que “tudo o que está aí” seria culpa da política macroeconômica de “austeridade neoliberal”, segundo lulopetistas e outros passadores de panos de governo lulopetista. Segundo essa interpretação, a “neoliberal Dilma”, o “neoliberal Temer” e o “neoliberal Bolsonaro” nos impuseram seguidos anos de austeridade neoliberal. Podemos verificar a validade disso analisando o resultado do superávit/déficit primário, que é o déficit/superávit do orçamento público que exclui as despesas com os juros da dívida pública (assim, é anulada a desculpa do “caráter financeiro do déficit público”). Eis os números retirados do BCB e publicados no blog Mão Visível de Alexandre Schwartsman, lembrando que os números com parênteses se referem a valores negativos:

Resultado do setor público - % do PIB

Resultado nominal

2013 (3,0)
2014 (6,0)
2015 (10,2)
2016 (9,0)
2017 (7,8)
2018 (7,1)
2019 (6,4)

Resultado primário
2013 1,7
2014 (0,6)
2015 (1,9)
2016 (2,5)
2017 (1,7)
2018 (1,6)
2019(1,2)

Juro nominal
2013 4,7
2014 (5,4)
2015 (8,4)
2016 (6,5)
2017 (6,1)
2018 (5,5)
2019 (5,1)

* 12 meses até nov-19
Fonte: BCB

Dados expostos em: https://maovisivel.blogspot.com/2020/01/celebre-com-moderacao.html

Analisando os dados... O Brasil saiu de superávit primário razoável em 2013 para déficit primário expressivo no último ano do governo Dilma. Antes mesmo do Brasil experimentar seu primeiro crescimento de PIB negativo, Dilma transformou o superávit de 1,7% do PIB em 2013 em déficit de 0,6% em 2014. No último ano completo do mandato de Dilma (2015), o déficit primário foi só um pouco maior do que aquele déficit primário encontrado no último ano do governo Temer (2018). O déficit primário caiu um pouco em 2019, mas os limites constitucionais que engessam o orçamento tornou impossível zerar o déficit primário tanto para o governo Temer como para o governo Bolsonaro. Todavia, podemos perguntar a alguns incautos... Se a austeridade fiscal foi a causa da crise prolongada, então por que o início do expansionismo fiscal de Dilma coincidiu com a maior piora dos resultados das contas públicas e a maior piora no crescimento do PIB? Ademais, não foi na gestão da expansionista Dilma que o Brasil saiu da recessão e onde a curva da taxa de desemprego começou a declinar. E antes que petistas ou assemelhados venham me falar do crescimento econômico da era Lula, devo lembrar que os maiores superávits primários no governo dele foram ainda mais expressivos do que os últimos que o governo Dilma produziu. Sem falar na questão da política monetária de Henrique Meirelles, semelhante à de Arminio Fraga na gestão do PSDB (ambos usaram a política de metas de inflação). Na crise de 2003, o BC petista aumentou os juros para o processo de desinflação, o que aumentou a taxa de desemprego no curto prazo, mas depois a recuperação econômica com a ajuda do que muitos lulopetistas chamam de “política macroeconômica neoliberal” deu certo. Isso foi refletido na popularidade de Lula no fim de 2010. Infelizmente, Lula já tinha começado o processo de destruição do Brasil nomeando Guido Mantega para o Ministério da Fazenda em 2007, que, algum tempo depois, foi decisivo no abandono do chamado “tripé macroeconômico” (“neoliberal”).
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Lula já está empatado com Bolsonaro em simulação de segundo turno de pesquisa eleitoral presidencial de 2022:
https://www.oantagonista.com/brasil/bolsonaro-ressuscita-lula/

Se o STF deixar ele sair candidato, é sempre bom revisitar a farsa de que Lula, em seu melhor momento na economia, sempre foi “contra tudo que está aí”, já que seu governo chegou a ser o “rei dos superávits primários” nos últimos anos:
Huxley;c-40932Devemos levar em conta que a forte e pontual expansão do gasto público durante a pandemia não anula um compromisso posterior de sustentabilidade fiscal que seja capaz estabilizar relação dívida pública/PIB. Um choque no endividamento público não significa necessariamente um aumento persistente do mesmo, como já explicou Alexandre Schwartsman:


(...) o excelente texto de Persio Arida na Folha de São Paulo (Estabilizar dívida a longo prazo importa mais que conter seu aumento na pandemia), que reforça o nunca suficientemente enfatizado ponto que o fundamental é gerar uma trajetória de endividamento que não seja explosiva. Posto de outra forma, o crucial é garantir que a dívida, mesmo alta, não cresça indefinidamente a uma velocidade superior à do produto
Fonte: http://maovisivel.blogspot.com/2020/05/e-dai.html http://maovisivel.blogspot.com/2020/05/e-dai.html


Lula e petistas em geral já fizeram manifestação pública contra a PEC do teto dos gastos públicos, mas parece que os mesmos não se deram conta que, desde 2016, tal PEC não revolucionou o ajuste fiscal. As chamadas despesas primárias (as que a excluem pagamento de juros da dívida pública) cresceram ao ritmo de 2,8% ao ano desde 2016. Isso medido a preços contantes de 2019, como mostra o artigo de Alexandre Schwartsman: http://maovisivel.blogspot.com/2020/07/r-100000000000000.html?m=1
Lula também parece ignorar que o governo dele foi o governo dos superávits primários positivos e significativos nas contas públicas, diferentemente da "neoliberal" Dilma de 2014 em diante e do "neoliberal" Michel Temer. Uma das poucas coisas boas no governo Lula foi justamente o que os petistas cinicamente chamam de "neoliberalismo" (ou seja, o "tripé macroeconômico" citado no meu tópico “O último prego no caixão do mito do Lula "milagreiro sócio-econômico"“), um dos maiores responsáveis pelo relativo bom momento econômico do país na década de 2000.
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